O coquetel Regen-Cov2 liberado nesta terça-feira (20) pela Anvisa para uso no tratamento de pacientes com a covid-19 reúne os medicamentos casirivimabe e imdevimabe e é destinado a casos leves e moderados em pacientes do grupo de risco e que não necessitam de suplementação de oxigênio.

O uso será restrito a hospitais, com venda proibida no comércio. Este é o segundo tratamento para a doença liberado para uso emergencial nopPaís, após a aprovação do remdesivir em março.

O tratamento foi desenvolvido pela empresa norte-americana Regeneron Pharmaceuticals, em parceria com a suíça Roche, e tme liberações também em caráter emergencial pelos Estados Unidos.

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Como funciona

O tratamento reúne dois anticorpos monoclonais que têm o objetivo de se ligar à proteína spike do vírus para impedir que entre na célula e possa se replicar, diz Gustavo Mendes Lima Santos, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa. O tratamento não é recomendado para pacientes em estado grave, em que pode piorar o quadro de saúde.

“Deve ser iniciado assim que possível após o teste viral positivo, dentro de dez dias do início dos sintomas”, destacou. “Reduziu significativamente o risco de hospitalização ou morte relacionadas à Covid nos pacientes ambulatoriais sintomáticos com um ou mais fator de risco.”

Só para quem tem fatores de risco

Os fatores de risco considerados para a indicação do medicamento são: idade avançada (65 anos ou mais), obesidade, doença cardiovascular, hipertensão, doença pulmonar crônica, asma, diabete, doenças renais crônicas, incluindo pacientes em diálise imunossuprimidos e doenças hepáticas crônicas.

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No caso da autorização no Brasil, a dose é de 600 mg de cada um dos dois medicamentos, que devem ser administrados juntos e por meio de infusão intravenosa única (por meio de uma bolsa, semelhante à administração de um soro, por exemplo). A posologia é distinta da autorizada nos Estados Unidos e na Europa, que prevê o 1,2 mil mg.

Santos destacou que o tratamento passou por quatro estudos não clínicos distintos, nos quais não foram identificadas “questões maiores” em relação à segurança, considerada com perfil “aceitável”. “Os ensaios realizados não geraram preocupação que ensejasse uma investigação específica”, apontou.

Benefícios em dois dias

O benefício seria perceptível a partir do segundo dia após a aplicação. Segundo o estudo considerado pela Anvisa, houve redução de 70,4% no número de pacientes hospitalizados por Covid-19, quando comparado ao grupo que recebeu placebo.

Nesse estudo, os eventos adversos graves foram mais frequentes no grupo placebo. Ao todo, 0,3% do total que recebeu o tratamento teve uma reação de hipersensibilidade. No caso das doses de 2,4 mil mg, a redução foi semelhante, de 71,3%, destacou Santos.

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A autorização não envolve o uso com a proposta de prevenir o contágio, que também é alvo de estudo pelas fabricantes. Além disso, os pacientes que receberem o tratamento deverão aguardar ao menos 90 dias para serem vacinados contra a Ccovid-19, após procurarem avaliação médica.

Remdesivir foi primeiro a ser aprovado

No último 12 de março, a Anvisa havia aprovado a autorização do uso do medicamento antiviral remdesivir para o tratamento de pacientes hospitalizados pela Covid-19. Segundo um estudo publicado pela New England Journal of Medicine a medicação poderia reduzir o tempo de internamento pelo coronavírus.

Nesse estudo, pacientes que receberam o remédio se recuperavam, em média, em 10 dias, enquanto os outros levavam cerca de 15 dias. A esperança está em que ele bloqueie uma das enzimas-chaves que o coronavírus precisa para replicar seu material genético e se proliferar no corpo. Com isso, ele previne que o vírus se multiplique.

Ainda assim, muitos especialistas não tratam o remdesivir como a solução para a Covid-19, mas um possível aliado; um primeiro passo importante para novos medicamentos mais eficientes.